Falar das mulheres é sempre falar de corações truncados, cheios de raízes dispersas por terrenos malfadados. Hoje estivemos a falar das ternuras femininas que ficam por usar: dos corpos que ficam hirtos por falta de lubrificação, de sorrisos presos e de gestos repartidos e nunca entregues.
Só com a boca aberta se pode falar de mulheres porque dela sai a surpresa e o espanto por tanta dor suprida e por tanta mágoa relaxada.
Os homens estão lá, na boca das mulheres, como batôn necessário e vistoso, como essência dos próprios lábios de carne e sensualidade. Trincam-se os lábios, mas os homens não. Beijamo-los com garra e com espuma que nos adoça o toque e deles dependemos, como se não houvesse fala. Por eles falamos, por eles falimos.
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