quarta-feira, 29 de maio de 2013












Olha a rosa que deixou de cheirar.
Olha a borboleta...
Já não voa mais, já não bate mais
as suas asas duradouras...

Olha a rosa que deixou de picar.
Olha a borboleta...
Que nela não poisa mais
as suas cores difusas e quentes...

Olha a rosa que vai murchar.
Olha a borboleta...
Esvoaça tonta pela afronta
De não mais poisar no mesmo lugar...

Olha a rosa murcha.
Borboleta morta...


















Os tempos do amor são inelutáveis.

Se quiseres, podemos viver de novo
         porque o cheiro da tua pele é inesquecível,
             embora eu saiba que nunca mais, nunca mais
                         seremos amáveis!








quinta-feira, 16 de maio de 2013








Tenho tudo para agarrar o futuro
Largo tudo para despedaçar o passado


As mulheres são assim,... correm rapidamente em busca de outras ruas; aprendem a dormir sozinhas, nuas, e levantam-se acompanhadas de sonhos   que as vestem de novo. As mulheres refazem os caminhos como se eles  fossem veredas imperfeitas. Escolhem os becos mais difíceis  e continuam sempre... porque sabem que, no fim, as espera um largo com magnólias e chilreios. As mulheres ouvem os mínimos sons e fazem deles música de timbre cheio. As mulheres seguem pelas avenidas...







quinta-feira, 9 de maio de 2013

Amália




Amá-la

Amá-la como se fosse nossa
Nesta fé de querer mais
E chorar por ter tão pouco

Amá-la como se fosse deusa
Num olhar de homem só
Desejando tê-la toda

Amá-la como se fosse viva
Amá-la eternamente 
Diva

















quinta-feira, 2 de maio de 2013








Hoje é tempo de lavar as lágrimas e de aquecer o coração. Não é possível insistir na inexistência. Só as mulheres bailarinas têm sucesso; e as dos camarins que se estendem languidamente no sofá e arrastam o vestido pelo chão. As dos lábios carmim que afiam as línguas na língua, também. E as das ancas largas, que gingam no passeio e no tacão. As que dançam no varandim da vida, ciosas e disponíveis. E as que usam mostrar-se inteiras, elas próprias, vingando por si só. 
As outras cansam-se e cansam; refilam e enjoam, deixam-se levar pela prole. Sem tréguas. Raramente cheiram a perfume e nem sabem enroscar-se no varão.... Estão partidas e repartidas e os seus sonhos crescem comezinhos debaixo do lençol...