terça-feira, 31 de dezembro de 2013







Fim de um dia
Cheio de graça
Para exaltar o que me deram,
Para louvar o que fizeram
De mim melhor,
De mim mulher.

Dia para amanhecer.

Num novo ano
Sempre inteiro,
Que cada um
Faça o primeiro
De todos os outros
Que se nos oferecerem.

Começo novo 
De um tempo estranho.

Que um rebanho
De ovelhas mansas 
Faça as crianças
Sorrir, correr.
Que o Menino d'Ouro
Seja o tesouro
Para quem quiser
E O perceber.

Que o Pai nosso
se faça Homem,
Mais uma vez, 
E outra vez.
E que na pequenez
 se tornem grandes 
os dias dados, 
ainda a fazer
para que,
juntos, 
vamos também,
talvez, a Belém!

Vamos, então,
Magos felizes,
 ainda louvar
o Pequenino.
 Vamos, depressa,
  logo adorar
com a promessa
de um dia a chegar...

 Já amanheceu.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013













Os anjos circulam por aí e é vê-los nas esquinas baças com o seu sorriso de espera. 
Param onde devem: nas estradas sem folhas, nos cruzamentos sem curvas, nas relações sem destino. 
Os anjos não dormem; vivem acordados no calor de um gesto anónimo que se faz humano. 
Os anjos não voam sem rumo, revoluteiam no meio da multidão e afagam os rostos dos tristes e dos velhos e dos sós. 
Os anjos não têm forma. São azuis, sim, com o formato de um abraço quente e azulado pela contracção das suas asas. 
Os anjos são visíveis porque deles cai um simples pó e deles sai um aroma inexplicavelmente calmante. 
Acredito em anjos porque voam perto de mim. Porque me fazem subir com o seu paraquedas incorruptível. Porque me embalam inesperadamente. 
Anjos, olhos que seduzem e mãos que puxam por nós, como tu!






terça-feira, 3 de dezembro de 2013






TUdo  belamente  correto.Oxalá alguém O possa encontrar!












Porque estamos no tempo do apaziguamento,
escolhemos o outro lado, necessário,
o da fúria, 
da velocidade,
 do esquecimento.

Quiseras que eu tocasse noutro tom.
Lamento, 
mas só ouço mesmo este som 
de neve calma
 a cair no meu regaço
 que espera o calor de um sol de inverno,
 derretida,
  para amar
 como amar eu sempre faço.








domingo, 17 de novembro de 2013









Eu não sou poeta de coisas simples. Não faço poesia rigorosa e depurada. Já passou o tempo da poesia e da paixão. Agora, escrevo linhas de palavras que parecem poesia e encanto-me com gestos simples como se estivesse apaixonada. Eu não faço parte das tertúlias dos poetas nem das hordas de apaixonados virtuais. Agora, derramo nos textos excertos de carícias e de amor retardado que não mais vai ser usado,... por defeito e por falta de quórum!
Também não sou poeta de coisas complicadas: não teço considerações ébrias requintadas de estilo. Não consigo ver-me desesperadamente sôfrega por amores desvairados e por outros que nunca chegarão.
Sou apenas escrevente da alma, feminina que seja, incompleta que fui, retraída que sou.









quinta-feira, 7 de novembro de 2013










A pele de nós.
Apelo já feito:
vou escrever a palavra livre
 nas ondas das tuas costas, 
nos  braços tão sensuais, 
no rosto escanhoado
 que não é o teu

a pele nunca se enruga 
quando lhe passamos 
o creme da ternura

Minha mãe, 
minha mão,
pele doce, 
pelo teu olhar 
 vejo-me ao espelho.














terça-feira, 5 de novembro de 2013

                                              




                                        Há dias para tudo
                                        Até para adiar
                                        Até para morrer sozinho
                                        Quando o coração pára de medo

                                        Há dias 
                                        Com portas fechadas
                                        Portos parados
                                        E pontes sem pé

                                        Há dias de nada
                                        à espera de serem cheios
                                        de fé





                    http://www.youtube.com/watch?v=i0YCw8yUu3A

                                                   














terça-feira, 22 de outubro de 2013





Urge o tempo de recomeçar e perceber...
Precisa-se de coragem grátis.
Há que apagar e refazer:
O amor também se escreve a lápis.

Quero escolher o país,
Quero escolher a pele.
Gostava de ser feliz,
Algures..., nos braços dele.

  Podes amar-me outra vez?
   Podes amar-me a negrito...
Podes querer-me de vez?
Eu quero,
Mas não acredito!









quarta-feira, 9 de outubro de 2013





alentejo branco
além tejo vejo
 a planura 
de uma alma 
que precisa de descansar

além de ti
não me vejo
noutro campo
nem te almejo
num desejo 
noutro lugar

é nesse alentejo calvo
de calmas vidas vividas
de mulheres e mães sofridas
que gostava de desaguar
















terça-feira, 24 de setembro de 2013







Desta vez tudo parece estranho. Como tudo se repetisse de novo e como este patamar da vida fosse um déjà vu irrealista. Retrocedo para aqueles dias onde tudo era novidade e, agora, tudo parece já ter um termo de comparação: os amigos revisitaram-me, as escapadelas abriram-se, as rotinas ecoaram, o olhar ficou vazio outra vez e as plantas, no jardim, voltaram a estar à minha espera.
Só o terreno é outro e, no outro, a paixão secou! Só o lar é outro, e, nesse, o fogo não mais queimou! 
Tenho agora mais quatro mãos nas minhas mãos - e isso, o amor não apagou!
Conservo apenas o beijo do sol que me aquece todos os dias e me abraça, naquela meiguice tão espontânea que em vez de me bronzear, estonteia...










segunda-feira, 23 de setembro de 2013










antes de mais 


o melhor é mesmo acreditar que sim: 
que a vida se vai fazendo surpreendente 
e que os amantes se amam para sempre, apesar de... 

mais a mais, amar mais, outra vez e outra ainda, 
é possível sim,
 com ele, com eles, 
nunca contigo

está bem,
 os juros de um amor falhado
rendem pouco,
mas mais vale
um amor grato
do que uma ingrata libra

é que o não nunca dá dividendos.

   o melhor é mesmo aceitar assim...












terça-feira, 17 de setembro de 2013




Nestes dias de abrir os braços ao outro, fico com a sensação que o mundo é mínimo e os corações grandes demais para tanta amizade. 

Recebo o viajante como se ele fosse um passeante eterno das minhas cidades, como se a Invicta o fizesse dono da muralha e a Capital o fizesse senhor das colinas. Recebem-no bem: não com um olá passageiro e desinteressado, mas antes um bom dia generoso e compreensivo - de explicar o mundo, de trocar as palavras e de resvalar para os abraços: é um bom dia de paixão.

Porto e Lisboa deixam de ser cidades para ser aconchego e mimo, nessas luzes difusas e quentes de quem só as vê às vezes...

E se ele voltar, que guarde sempre o olhar menino que vê o meu país como se ele fosse verde, como só fosse mar, como se ele fosse nosso.

Olá! Tão boa a música dos encontros! 







domingo, 1 de setembro de 2013





necessidade


    às vezes 
    precisava do teu ombro, dos teus ouvidos, do teu cabelo sedoso 
    onde eu passasse os meus dedos;

    poucas vezes 
    amansei os teus braços rígidos.

    raras vezes 
    me disseste palavras mágicas,

    tanta vez aquele toque metálico de dureza numa carapaça indestrutível!

    quantas vezes 
    precisava, Benjamim, do teu beijo só para mim...





















Há palavras portuguesas que dizem demais e que nos obrigam a ser mais: mar, luz, branco, casa, sul e aquela que faz de todas a verdade portuguesa. A nostalgia que nos  faz brandos, mas bravos no coração - a saudade de estarmos perto do que nos faz viver.















quinta-feira, 29 de agosto de 2013






    

   E ei-las que partem as meninas...
        para longe dos meus olhos calmos...
        partem-se-me as pupilas pequeninas
de choros, 
bálsamos 
pelas meninas dos meus olhos 












quarta-feira, 28 de agosto de 2013

 
 
 
 
 
 
Não acredito que os amigos morram! Creio que vivem sempre nas palavras que deles lembramos, nos afagos que deles recebemos e nas histórias rotas de riso e de rasgo que com eles construímos.
Os amigos renascem sempre quando partem porque deles fazemos deuses e fazemos destes vivos!
 
 
 
 
 

sábado, 24 de agosto de 2013








Transcrevo a letra da música,
pois ela me faz pensar
se o mundo é feito de vida
por que razão atrevida
o coração, mesmo morto,
continua a palpitar?



"só deixo meu coração na mão de quem pode 
fazer da minha alma suporte para uma vida insinuante
insinuante, anti-tudo que não possa ser, bossa-nova hardcore, bossa-nova nota dez
quero dizer, eu tou para tudo nesse mundo, então, só vou deixar meu coração, a alma do meu corpo, na mão de quem pode e absorve todo o céu, qualquer inferno, inspiração na vagabunda intenção de se jogar na dança absoluta da matança do que é tédio, conformismo, aceitação..

porque eu não quero teu ciúme, que é o cúmulo de dúvida, incerteza de si mesmo, 
jogado como lama anti-erótica na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa.


eu não tou à toa, eu sou muito boa para a vida, eu sou a vida oferecida como dança.

e eu não quero "te dar gelo", diabos que o carregue, vê se aprende, se desprende.
vem pra mim que sou a esfinge do amor, te sussurrando: decifra-me, decifra-me..

só deixo minha alma, só deixo o coração, na mão de quem ama solto!


eu vou dizendo, que só deixo a minha alma, só deixo o meu coração,

na mão de quem pode fazer dele erótico suporte para tudo na vida.. "


"katia b", katia bronstein para os amigos. 






sexta-feira, 9 de agosto de 2013






Encontrei hoje uma mulher engraçada num dos momentos de pausa. Como eu, também ela ficou sem graça. Desgraçadamente deixou de ter asas, sem partida nem chegada. Queria muito ser ave, sem ser garça de artista nem columbina de arlequim. Queria mostrar sua graça. Tornou-se modelo para mim.
A tal mulher graciosa cantava notas de graça e modinhas de bem querer. A sua voz era grande e dava para sossegar. Chegava alto com ela. Quem me dera também voar...















terça-feira, 23 de julho de 2013









caminhos de setas


Muitos amores não dá certo
E morre-se de enfartamento;
Sofre-se tanto tormento
pelo coração aberto 
de tanto, tanto amar.

Poucos amores não dá certo
e morre-se de sensaboria;
Sofre-se de monotonia
pelo coração deserto
de pouco, pouco amar.

Um só amor não dá certo
e morre-se de solidão;
Sofre-se muito e bastante
pelo coração distante
de não ter a quem dar a mão.









quarta-feira, 10 de julho de 2013






Chega! 
Não me iludo mais!
Não me trocas mais!
Não sou da tua casta!
Basta!

Sê forte!
Farto!
Feroz!
Fértil!
Febril!
Festivo!
Feliz!

















quinta-feira, 4 de julho de 2013

Viver





                       Desfrutar a vida como se fosse ontem
                       e o hoje
                       fosse o desfrute imenso de tudo o que se quer.
                       Abraços, braços, 
                       nunca baços,
                       brilhantes de palavras, 
                       nunca bravas,
                       sempre asas...










Pensar...











Os dias são marítimos, cheios de marés altas e de poucas marés baixas. Vivemos com salpicos no nosso peito nos dias dados. Junto à areia, sozinhos, solitariamente arredados da multidão, apreciamos o horizonte como se ele fosse a nossa única companhia. Andam vagarosos, os dias. Precisamos das ondas rápidas para nelas vogarmos, prescindindo daquele mar que, para nós, nunca é "flat".







quarta-feira, 29 de maio de 2013












Olha a rosa que deixou de cheirar.
Olha a borboleta...
Já não voa mais, já não bate mais
as suas asas duradouras...

Olha a rosa que deixou de picar.
Olha a borboleta...
Que nela não poisa mais
as suas cores difusas e quentes...

Olha a rosa que vai murchar.
Olha a borboleta...
Esvoaça tonta pela afronta
De não mais poisar no mesmo lugar...

Olha a rosa murcha.
Borboleta morta...