terça-feira, 24 de setembro de 2013







Desta vez tudo parece estranho. Como tudo se repetisse de novo e como este patamar da vida fosse um déjà vu irrealista. Retrocedo para aqueles dias onde tudo era novidade e, agora, tudo parece já ter um termo de comparação: os amigos revisitaram-me, as escapadelas abriram-se, as rotinas ecoaram, o olhar ficou vazio outra vez e as plantas, no jardim, voltaram a estar à minha espera.
Só o terreno é outro e, no outro, a paixão secou! Só o lar é outro, e, nesse, o fogo não mais queimou! 
Tenho agora mais quatro mãos nas minhas mãos - e isso, o amor não apagou!
Conservo apenas o beijo do sol que me aquece todos os dias e me abraça, naquela meiguice tão espontânea que em vez de me bronzear, estonteia...










segunda-feira, 23 de setembro de 2013










antes de mais 


o melhor é mesmo acreditar que sim: 
que a vida se vai fazendo surpreendente 
e que os amantes se amam para sempre, apesar de... 

mais a mais, amar mais, outra vez e outra ainda, 
é possível sim,
 com ele, com eles, 
nunca contigo

está bem,
 os juros de um amor falhado
rendem pouco,
mas mais vale
um amor grato
do que uma ingrata libra

é que o não nunca dá dividendos.

   o melhor é mesmo aceitar assim...












terça-feira, 17 de setembro de 2013




Nestes dias de abrir os braços ao outro, fico com a sensação que o mundo é mínimo e os corações grandes demais para tanta amizade. 

Recebo o viajante como se ele fosse um passeante eterno das minhas cidades, como se a Invicta o fizesse dono da muralha e a Capital o fizesse senhor das colinas. Recebem-no bem: não com um olá passageiro e desinteressado, mas antes um bom dia generoso e compreensivo - de explicar o mundo, de trocar as palavras e de resvalar para os abraços: é um bom dia de paixão.

Porto e Lisboa deixam de ser cidades para ser aconchego e mimo, nessas luzes difusas e quentes de quem só as vê às vezes...

E se ele voltar, que guarde sempre o olhar menino que vê o meu país como se ele fosse verde, como só fosse mar, como se ele fosse nosso.

Olá! Tão boa a música dos encontros! 







domingo, 1 de setembro de 2013





necessidade


    às vezes 
    precisava do teu ombro, dos teus ouvidos, do teu cabelo sedoso 
    onde eu passasse os meus dedos;

    poucas vezes 
    amansei os teus braços rígidos.

    raras vezes 
    me disseste palavras mágicas,

    tanta vez aquele toque metálico de dureza numa carapaça indestrutível!

    quantas vezes 
    precisava, Benjamim, do teu beijo só para mim...





















Há palavras portuguesas que dizem demais e que nos obrigam a ser mais: mar, luz, branco, casa, sul e aquela que faz de todas a verdade portuguesa. A nostalgia que nos  faz brandos, mas bravos no coração - a saudade de estarmos perto do que nos faz viver.