segunda-feira, 10 de dezembro de 2012



As mulheres muro. As mulheres que se erguem como paredes firmes e não se deixam derrubar. Paredes rugosas e ásperas onde se podem encostar os homens rígidos, impenetráveis, perenemente lógicos e com esquadria. Estes muros de mulheres não deixam que as ervas trepem, que o cardo as pique e que o granizo as queime. Quando alguém se encosta a elas, procura nelas o prazer da rocha brava, e é nelas que se deita, corpo dorido na busca de sol.
As mulheres tenras aparecem como muros baixos, muretes brandos que abrigam apenas os indefesos e deixam-se levar por enxurradas de ternura dispersas pela encosta.
Na hora da escolha, ganham os muros duros que, erguidos para o alto, impõem a sua sombra à masculina pose.








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