Os anjos circulam por aí e é vê-los nas esquinas baças com o seu sorriso de espera.
Param onde devem: nas estradas sem folhas, nos cruzamentos sem curvas, nas relações sem destino.
Os anjos não dormem; vivem acordados no calor de um gesto anónimo que se faz humano.
Os anjos não voam sem rumo, revoluteiam no meio da multidão e afagam os rostos dos tristes e dos velhos e dos sós.
Os anjos não têm forma. São azuis, sim, com o formato de um abraço quente e azulado pela contracção das suas asas.
Os anjos são visíveis porque deles cai um simples pó e deles sai um aroma inexplicavelmente calmante.
Acredito em anjos porque voam perto de mim. Porque me fazem subir com o seu paraquedas incorruptível. Porque me embalam inesperadamente.
Anjos, olhos que seduzem e mãos que puxam por nós, como tu!
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