Canto onde as palavras se arrumam e as músicas se aconchegam...
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Onde vais?
Onde vais, mariposa?
Se tudo o que desejo é que me leves contigo
E me afagues com as asas
Que, volteando, me podem abraçar
E pousar nas flores?
quinta-feira, 20 de setembro de 2018
ETERNAS MIMOSAS
Mi,... Mi...,
Lá..., Muito cantam as mulheres do mundo! Sons de raiva e risos de surpresa. No colo embalam as colcheias para adormecer os filhos.
As mulheres de longe são
iguais às daqui: cantam sonhos que erguem pontes, choram mágoas que deixam marcas, sussurram dores incomensuráveis e voam alto nos seus dias felizes.
Na rasura dos
dias deixam escapar cantilenas de fá e sol. E fogem das guerras vazias para que a revolta não lhes leve o Amor.
Essas mulheres
compõem o futuro, em melodias mágicas. E quando as suas mãos tocam numa semente delas saem eternas mimosas.
As mulheres
somos nós... sem dó.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
ANO RENOVADO
Se tudo fosse duradouro
E ficasse gravado na memória,
Registaríamos os dias cheios
E perenes.
Se tudo fosse ouro,
Dele faríamos um tempo incorruptível
E brilhante.
Se tudo fosse nosso,
Guardaríamos os minutos felizes,
As horas benfazejas,
Os meses calorosos
E os anos “mirabilis”.
Mas, como o tempo de agora finda,
Nesta chuva miúda de um dezembro estranho,
Apenas queiramos que o tempo prossiga,
Feliz, brilhante, benfazejo e maravilhoso.
ANO BOM e MELHOR para todos.
UMA CANÇÃO PARA ALGUÉM
Uma canção para alguém. Para ti, uma nota só!
Nas nossas mãos, uma pinha de seiva. E a árvore? Uma luz para quem fica em baixo. Como se sobe?
Não corras depressa. Caminha devagar. Lá chegarás.
Ali, fica a floresta iluminada. E há sorrisos a rebentar. Natal. Começa a chuva. Nasce a semente.
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Tempo de Ver
Verão. Vão ver tudo o que há à volta, à solta e o que fica guardado no museu. Verão as cores de tudo o que é belo e num novelo farão um circuito natural em redor da vossa alma, num descampado amarelado desse Alentejo ou num outeiro verde desse Minho aninhado na encosta de cá. Hão de ver como tudo fica com outro gosto neste mês de agosto nada dado a branduras. E se houver seca - que seca! E se houver chuva - que muda? E se houver bom tempo - que agrado! Verão como se abre um tempo novo. Vão ver. Vão. Bom verão.
Quase tempo de ser assim
Quase tempo de ser assim, De ter o tempo para mim, Numa fuga de eternidade, Num instante de permanência no sabor, no calor, no torpor.
Arrumados os livros devidos, Vêm agora os livros amados, As desejadas melodias, Os encontros adiados...
Estar quase lá. Nesse fim... Do mundo ou do fundo. Porque sim!
segunda-feira, 24 de julho de 2017
A vida é um semáforo
Num dia, pára e aproveita o sol. Noutro dia, avança no amarelo. Não te assustes com o vermelho. No verde, segue sempre em frente. E mesmo que haja uma curva, desfá-la com a contracurva.
quarta-feira, 7 de junho de 2017
SAUDADE ADIADA Tenho saudades de ouvir chamar o meu nome como se eu fosse única, desejada e inolvidável... Ninguém chama por mim com voz doce porque o coração caramelizou... E se chamassem por mim seria sempre a voz do funcionário que quer fechar o guichet mais cedo! Tenho saudades de ser enGRAÇAda!
terça-feira, 25 de abril de 2017
Toda a vida! (ao contrário!)
Tudo errado!
Tudo amado!
Tudo trocado!
Que maré tão baixa!!
Que vida traída quando há gente a flutuar à volta
e mergulha e quase se afoga
porque só o amor não chega!
É preciso uma história
e uma vitória sobre o estipulado!
Tudo querido!
Tudo resolvido!
Tudo olvido!
sexta-feira, 24 de março de 2017
SONETO REFUGIADO
As
mulheres correm junto ao arame
Que
lhes rasga as almas e a pele,
Deixaram
longe os filhos, num desmame
E
outros futuros com sabor a mel.
Esbracejam
outras no mar medonho
À
procura da terra prometida,
Nadando
atrás do pão e do sonho
Lutam,
agarradas, à frágil vida…
Vêm
de longe, com vestes diferentes,
Querem
os filhos num lugar melhor.
Falam
e gritam uma dor cansada,
Porque
lhes roubaram as suas gentes
E
só lhes sobra o corajoso amor,
Mulheres
de vida refugiada!
as MULHERES
como nenúfares no meio de um lago elas abrem-se à luz, todos os dias... querendo, num afago, captar a magia do mundo,
elas, num canto distante, choram gotas de água por entre as folhas verdes para que os pássaros e os insetos nelas pousem e delas bebam...
elas que vestem o burel e o sari, o algodão e o linho, arrumadas num fio de cabelo cristalino...
como deusas sofrem pela vida e
pela morte e deixam escorrer pelas pedras do lago a força da sua seiva e da sua sorte que as transforma em plantas invencíveis, alcofas de futuro...
domingo, 15 de janeiro de 2017
Palavras ferozes Como as horas são duras, Feitas de palavras agrestes E prestes A rasgar o que foi feito! Como o defeito não se quer curar E a ternura fica aprisionada, Assim fica aberto o coração Com tanta palavra arremessada! Atiro para trás o que não é futuro, Agarro aqui e agora o que tenho à mão, Preencho o instante que é pouco seguro Com sonhos proibidos, Com abraços que não chegam, Não!?... Como as horas são duras, Feitas de palavras tão acesas E presas A uma ideia de que tudo é perfeito! Como a mentira desdenha a verdade, Assim fica o vazio no cheio chão, Tal como fica a palavra atirada, Passando perto, rente ao meu coração.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
Mel num dia de sabor neste dia, neste tal dia de mel, tudo é bonito e bastante e bem feito porque neste dia de calendário toda a gente tem o direito de ser amada no seu jeito vário. nesse dia, nesse tal dia distante, o Menino nasceu, e, nessa mesma noite, a estrela fulgurante no firmamento escreveu: "Eis o Santo Infante!"
naquele dia, naquela hora, a Natureza ofereceu tudo o que tinha para dar: a uma abelha toda a flora, ao Homem Tempo a saborear...
domingo, 11 de dezembro de 2016
AD VENTO
Se não houver neve, Que haja paixão. Senão houver gente, que haja música. Se não houver palavras, Que tudo seja feito com o coração.
Secante Secaram-se-me as palavras. Já não tenho nada a discorrer. Tinha a dizer quando as águas corriam céleres E o vento afagava as margens Num abraço. Quando tudo era sortido e sentido Como se de uma cascata caíssem gotas... E cada pingo era um gesto de ternura E cada palavra encerrava uma pequena história Do dia-a-dia, do nosso dia Nunca adiado! Secaram-se-me as palavras e ficou só o olhar para o azul, com chuva ou sem chuva, com mar ou sem mar, sem que eu possa enxugar as lágrimas coloridas que querem dizer: mágoa, saudade, distância, córrego, ou mesmo desprezo ou até feridas... Secaram-se-me as palavras porque o rio escolheu desaguar noutro mar e a minha história cristalizou numa folha de papel que desce o riacho até se desbotar...
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Casario As casas são como nichos raros, Escondem ternuras e travessuras. As casas mostram a face De quem lá dentro se aninha: Brancas, azuis, cinzentas... Simples, estranhas, opulentas... A casa guarda o passado arrumado, o presente sentido e o futuro em tijolo. Devagar se ergue uma casa, Mas num instante ela cai, Arrasa. E ao lado da porta estreitinha fica o aviso: não há casa melhor do que a minha!
Mais um passo,
Num compasso
Que se faz melodia.
A vida pode ser um lindo solfejo.
A mim ofereceu-me um beijo.
Si bemol!
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Outono O outono desvela-se em cores. Em debandada fogem os pássaros Esvoaçando, Tal qual secas flores Ao vento...
Maresia É aqui que tudo se acalma, É aqui onde se ganha coragem, É por aqui que se chega à imensidão. É no mar que tudo se resolve: as ondas batem e os rochedos dão-lhes a mão...
Dia de Alento Os dias são como as camas moles: Deitamo-nos e dormimos neles, no colchão suave das horas ou então mantemo-nos despertos nos incertos momentos de dor. Há dias que são moles como as camas: deixamo-los escorregar tal qual colchão acetinado e fresco. Outros há que se enrijecem nos minutos difíceis e endurecem-nos a pele como se precisassem de um alento forte e firme e infinito.