Canto onde as palavras se arrumam e as músicas se aconchegam...
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
rumorejar de vozes pelo vento forte.
quando se está sem norte,
é no tufão que devemos partir para
outr'alvorada.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
O futuro
é uma estrada pr' andar,
tempo duro
que não deixa largar
o sonho
e a vida cheia
que vai vazia
e fria,
neste rincão
de um Portugal adormecido...
Há que lutar com o futuro,
seja maduro
o nosso esforço,
moço,
nunca acabado,
de fazer daqui
um sítio futuro
que não pode ser escuro
pr'a mim, pr'a ti.
Vai pr'ó futuro,
segue em frente
enquanto houver
estrada adiante,
leva contigo o desafio,
nunca desistas,
meu caro amigo,
nunca persistas
em dizer não,
agarra bem
meu coração,
leva-me contigo.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Fim de um dia
Cheio de graça
Para exaltar o que me deram,
Para louvar o que fizeram
De mim melhor,
De mim mulher.
Dia para amanhecer.
Num novo ano
Sempre inteiro,
Que cada um
Faça o primeiro
De todos os outros
Que se nos oferecerem.
Começo novo
De um tempo estranho.
Que um rebanho
De ovelhas mansas
Faça as crianças
Sorrir, correr.
Que o Menino d'Ouro
Seja o tesouro
Para quem quiser
E O perceber.
Que o Pai nosso
se faça Homem,
Mais uma vez,
E outra vez.
E que na pequenez
se tornem grandes
os dias dados,
ainda a fazer
para que,
juntos,
vamos também,
talvez, a Belém!
Vamos, então,
Magos felizes,
ainda louvar
o Pequenino.
Vamos, depressa,
logo adorar
com a promessa
de um dia a chegar...
Já amanheceu.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Os anjos circulam por aí e é vê-los nas esquinas baças com o seu sorriso de espera.
Param onde devem: nas estradas sem folhas, nos cruzamentos sem curvas, nas relações sem destino.
Os anjos não dormem; vivem acordados no calor de um gesto anónimo que se faz humano.
Os anjos não voam sem rumo, revoluteiam no meio da multidão e afagam os rostos dos tristes e dos velhos e dos sós.
Os anjos não têm forma. São azuis, sim, com o formato de um abraço quente e azulado pela contracção das suas asas.
Os anjos são visíveis porque deles cai um simples pó e deles sai um aroma inexplicavelmente calmante.
Acredito em anjos porque voam perto de mim. Porque me fazem subir com o seu paraquedas incorruptível. Porque me embalam inesperadamente.
Anjos, olhos que seduzem e mãos que puxam por nós, como tu!
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
TUdo belamente correto.Oxalá alguém O possa encontrar!
Porque estamos no tempo do apaziguamento,
escolhemos o outro lado, necessário,
o da fúria,
da velocidade,
do esquecimento.
Quiseras que eu tocasse noutro tom.
Lamento,
mas só ouço mesmo este som
de neve calma
a cair no meu regaço
que espera o calor de um sol de inverno,
derretida,
para amar
como amar eu sempre faço.
domingo, 17 de novembro de 2013
Eu não sou poeta de coisas simples. Não faço poesia rigorosa e depurada. Já passou o tempo da poesia e da paixão. Agora, escrevo linhas de palavras que parecem poesia e encanto-me com gestos simples como se estivesse apaixonada. Eu não faço parte das tertúlias dos poetas nem das hordas de apaixonados virtuais. Agora, derramo nos textos excertos de carícias e de amor retardado que não mais vai ser usado,... por defeito e por falta de quórum!
Também não sou poeta de coisas complicadas: não teço considerações ébrias requintadas de estilo. Não consigo ver-me desesperadamente sôfrega por amores desvairados e por outros que nunca chegarão.
Sou apenas escrevente da alma, feminina que seja, incompleta que fui, retraída que sou.