quarta-feira, 27 de março de 2013







Vi- te à porta, mas não me conheceste. Voltaste as costas ao futuro, seguindo o teu caminho marcado e rígido. Tens a altivez de quem se toma por indestrutível. Ficaste quieto e impassível como se eu fosse um fantasma desse tempo que queres apagar. A mudez da alma faz-te mal e fez-nos mal. 

Encostei-me à porta com pena de a não poder abrir de novo, contigo, usando a chave-mestra do amor infindo.

Preferes o silêncio, a  embriaguez da noite, o olhar sem gente, a defesa nos gestos, a indiferença orgulhosa.

E a música colorida, não a sentes; só a ouves num timbre só, numa só melodia.

Fechaste-me a porta porque me reconheceste.






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