Vi- te à porta, mas não me conheceste. Voltaste as costas ao futuro, seguindo o teu caminho marcado e rígido. Tens a altivez de quem se toma por indestrutível. Ficaste quieto e impassível como se eu fosse um fantasma desse tempo que queres apagar. A mudez da alma faz-te mal e fez-nos mal.
Encostei-me à porta com pena de a não poder abrir de novo, contigo, usando a chave-mestra do amor infindo.
Preferes o silêncio, a embriaguez da noite, o olhar sem gente, a defesa nos gestos, a indiferença orgulhosa.
E a música colorida, não a sentes; só a ouves num timbre só, numa só melodia.
Fechaste-me a porta porque me reconheceste.
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