Erosom
ela abriu-se para ele,
ele sentou-se no chão.
ela gritou-lhe ao ouvido,
ele negou-lhe o perdão.
ela cantou um sussurro,
ele afastou-a depressa.
ela beijou-lhe o sobrolho,
ele rasgou a promessa.
ela amansou-lhe o peito,
ele mordeu-a na mão.
ela fê-lo marinheiro,
ele quis ser capitão.
ela carpiu sem parar,
ele perdeu a razão.
ela deu-se transparente,
ele tornou-se betão.
ela fugiu para longe,
ele parou na varanda.
ela sentiu-se liberta,
ele achou-se patrão.
ela guardou a memória,
ele fechou-a em caixão.
agora, onde eles estão?
ela, nos mimos da vida,
ele, num estranho saguão...
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