quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013





Era uma  mulher... Assombrosamente transparente. Alta, doce, romântica, de olhos longos e braços doces. Era como uma chuva de açúcar por cima dele, como se se desfizesse em pó no seu peito quente. Tinha uma curva na anca e gingava com ela na dança que, todas as noites, percorria o seu corpo. Ele era triste e ela era jovem. Ele era misterioso e ela era cristalina. E assim dançavam, roçando-se carnais e repentinos. Os dedos femininos, nunca opacos, viajavam pelo seu rosto másculo e impenetrável. Derretia-se nessa chuva de meiguice que o fazia feliz...
Até que um dia ela percebeu... 
Era a mulher. 
Era mulher.
E sabia que as esfinges permanecem eretas, impenetravelmente viradas para o vento, indiferentes à areia e ao ar doce!
Foi mulher...




















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